Poemas 2022

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Todos dias nesta fogueira
Não há lareira
Que me aqueça
Porque o frio me consome
Quando o calor dorme.
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O seu enredo foi escrito na parede
Todos os dias esculpido incessante
A picareta frenética não parava
Todos os murais foram preenchidos
A cidade foi lascada por todos os lados
Não havia parede que restasse
Ninguém poderia esculpir mais letras
Não havia mais histórias para contar
Aquela foi a única de reverência
Não havia outra com relevância,
E atónitos anónimos leem cada frase
Como se alcançassem o seu fim
Mal sabem que, aquilo que foi esculpido
Tinha sido apenas o inicio. 
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Eu queria recriar a velha paixão do passado
Ter o peito apertado e o coração nas mãos,
A emoção palpitante a fervilhar o ventre,
Apenas não pensei que, de repente,
Tal surgisse, e que eu agisse, como um idiota. 
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Enterrei-te na cova, mas não queria,
Desejaria que pudesses viver,
E não aceito o teu destino:
Negação, raiva, negociação, depressão,
As quatro fases de um luto cíclico,
Onde a aceitação é demorada
E talvez inexistente.
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Apelo à tua compreensão
Peço perdão. Ninguém merece sofrer assim,
Será que nunca alguém cometeu um erro
E ficaste prejudicada? Eu sei que sou amigo novo
E talvez para ti não te diga nada,
Mas para mim, tu eras uma boa amiga
E eu não soube aproveitar isso. 
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Encolhido em mim mesmo, olho vago para o vazio,
Ouvindo os ponteiros reversos do relógio, não penso,
Apenas sinto parte de mim querer sair,
E a energia esmorece porque foi arrancada.
E tu fazes parte do pensamento arrependido,
Como posso recompensar o estrago? 
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Fugi do mosteiro na hora do batimento do sino
Enquanto ele ecoava eu corria para o mato,
Porque haveria de ficar e ser um desgraçado? 
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Era uma luz alta e atemporal,
Assim como um alto farol,
Alimentei-a como um faroleiro
E carvão a carvão a iluminava,
Mas a luz não bastava
Por isso, barcos naufragaram,
E na costa dos horrores
Sete homens pediam penhores,
Com a bolsa das catástrofes
Pediam doações e esmolas,
Mas todos eles a ignoram
E ninguém colabora,
Para uma nova luz.
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Havia um negro segredo
Que enterrei bem fundo,
Por três dias peregrinei
E entrei no lodo profundo,
Encontrei mais segredos
Mas não os desvendei
Apenas constatei:
Mau lugar para esconde-los!
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Eu não sei, e sinto inveja da certeza
Porque o incerto atribui o tal vazio,
E fico cheio de dúvidas e surpresa:
Será que serás uma incerteza certa
Ou uma certa incerteza que insurgiu? 
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Se tu ficaste feliz por encontrares mais um amigo
De mim a alegria vem de saber que existes,
Mas sei que será um caminho distinto
E que não haverão mãos dadas na rua,
Porque os amigos não foram talhados
Para amar como dois amantes. 
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Os mineiros mineravam de sol a sol
Extraíam êxtase sólido com alegria,
Mesmo sem amor labutavam
E noite e dia não repousavam,
Não havia sombra, nem refresco,
O solo era quente, nada era fresco;
Dentro dessa bolha viviam felizes
Sem conhecer a ternura e encanto,
Então a avalanche tremeu a terra
Através de um solitário canto
A neve da montanha os cobriu,
Desde então nunca ninguém os viu;
Será que eles encontraram amor?... 
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Sinto crise de pânico e saudade
Estou desesperado e carente
Assim, é possível ficar contente? 
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O sangue bombardeia a veia
Com pulsações a mais,
E o corpo tem fracas defesas
Nenhuma delas ficará ilesa
Todos os ataques serão fatais! 
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Mais que um pedido tenho uma preocupação:
Que olhe nos seus olhos e seja um cobarde,
E que o tempo passe e não espere,
Por isso,
Que o relógio não acelere e que retarde. 
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Tu choras noite e dia, e noite e dia lamentas,
Andas desolada e pelos cantos te arrastas,
Mas depois tudo o que és, não aparentas,
Editas o vídeo e a tua cara filtras e contrastas!
Afinal, só há risos no teu rosto filtrado e liso
Afinal, só há amizade e alegria todo o ano!..
Até que fechas a porta, estás sozinha e não há riso,
Apenas a contagem dos likes do teu engano.
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Afinal tristeza, há felicidade na alegria
E sem que nada soubesse sou feliz,
Tu fizeste-me cego, por isso, não via
Tateava e apalpava a apatia ilusória:
E quanto mais quantidade mais sorrisos
E quanto mais sorrisos mais companhia
Eu pensava isso por isso mais sorria
Até sentir a dor dos músculos faciais,
Foi quando ouvi o som dos meus ais
Que caí em mim onde jamais caia...
É mesmo verdade o que o povo diz:
Melhor só, do que com muitos, e infeliz.
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Eu admito e agora honesto confesso:
Eu era um acumulador desmedido,
Acumulava várias amizades antigas
E não as revia, nada ia fora ou era vendido,Também confesso que disfarçava bem:
O meu jardim estava bem arranjado
Mas dentro de casa não me movia
E apenas me mexia entre o acumulado.Por fim, livrei-me de tudo,
Custou e foi duro reconhecer verdades,
Mas hoje tenho uma casa mais livre
E com espaço para novas amizades.
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Tudo aquilo que podia fazer eu fiz:
Desci de mestre até aprendiz,
Pois queria saber o que podia fazer
Que palavras podia dizer,
E sempre que choravas eu dizia:
Eu avisei-te das tuas más companhias..
Mas tu olhavas e sempre ignoravas
E olhavas para mim e não acreditavas,
E agora o que sei de ti é isto:
Perdeste tudo aquilo que sempre lutaste
E como tal também foste a Cristo
Mas o teu próximo não amavas,
E o que mais me espanta é isto assim:
Se tu eras isso, e eras isso para mim,
Quanto mais aos outros que nem conhecias,
O que terás dito? Que profecias?
E eu apenas lamento o tempo
Aquele que perdi a lamentar
Mas agora tu estás longe de mim
E eu não te vou mais ajudar
Talvez te tenhas inscrito na lista errada
Querias preencher o formulário antigo
Mas agora já não há ferida curada,
Pois já não há cura nem serei teu amigo.
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Este ano decidi compilar estes fragmentos:
Vilas, aldeias, cidades, distritos, países,
Não que não tenha outros momentos
Mas prefiro mostrar monumentos
Do que caras de pessoas pseudo felizes. 
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Vocês eram cristais
Num colar único,
Todos esperavam
Aguardavam o brilho,
Hoje, não emitem luz
Apenas se iluminam.
Qual o valor de um
Cristal obscurecido? 
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Talvez não conheça os contos verdes que contas
E não faço parte do teu clube privado de leitura,
A minha cara é proibida e está afixada nas portas. 
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Talvez tu procures a futilidade
E quem te poderá culpar?
Tudo é vaidade, isso é verdade,
E nesta sociedade
Tu não és um exemplo
És apenas um exemplar... 
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Tu nunca magoaste ninguém
És pura, casta, e evidente,
Uma garça ferida e alguém
Quer te caçar e te mente.Alguém a neblina partilha
E os teus claros olhos cegou,
Apenas colocou a armadilha
E sentado, apenas esperou.Agora,
Com as trapaças cumpridas
Segue o plano que criou:
Esse alguém cura as feridas
Que outrora te causou.
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Tu não sabias que eu tinha mudado
Fiquei diferente , e peço desculpa
Nunca te avisei , e tu... coitado...
Agora apenas sinto a culpa...
Eu sei que estás em grupo
Mas ao mesmo tempo, tão só,
Porque apenas eu me preocupo
E de ti... mais ninguém tem dó...
Desculpa estares tão perdido
E ter ido embora , mudado,
Espero um dia pagar o devido
E um dia ser desculpado.
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Por mais que tenhas querido
Nunca ninguém te convidou,
Disfarçaste que não querias
Nenhum dos teus olhos chorou,Mas em casa estavas deprimido...
Até que o telefone tocou,
Queriam te convidar, uma saída!
O teu estado agora mudou,Tu foste pontual, mas consumido,
Separado, alheio, o que restou:
Pensar: Onde está o tempo em que
Estar com eles, nunca te importou?
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Pode ser apenas uma velha coincidênciaMas a tua aparência relembrou-me Mestria,E eu já sem saber sorrir, sorria,Sem saber do que me ria,Apenas não obedecia às leis da gravidade.
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Havia uma flor que rejubilavaMesmo na densa noite brilhava,Era azul como o arranjo do céuBranca como o seu branco véu,Na natura respirava e resplandeciaQuanto mais vivia mais agradecia,Era só mas só sonhava em liberdadeE as suas pétalas formavam a palavra: felicidade.E quanto a vocês...Quando chegaram, vocês resplandeciamPelas chamas do amor eram consumidos,O vosso abraço era fogo, logo, no lago ardiamE antes de nadarem, rebolaram nos 5 sentidos;Pela relva da mata rolaram e no amor cresciamFicaram no calor enrolados e um ao outro rendidosEnquanto nessa perdição queimavam os gemidosReencontraram-se, mas na paixão estavam perdidos...E quanto ao percurso, não olharam, não sabiam,Mas num desses movimentos rápidos e fervidos,Caindo em suspenso pela ribanceira, não sentiamO aproximar da flor azul, eles estavam seduzidosE indiferentes à branca flor, que esmagaram.
Depois pararamArrancaram a flor, disseram:"Esta é para o meu amor",E a flor, nas cinzas quebradaA vida tinha lhe sido arrancadaPétala a pétala queimadaE no cimo de um caixãoEncontrada, só e murcha.
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De uma terra tão sombria,Um presente tão brilhante:Um amor sem paixãoUma paixão sem amor,Contraí genuína admiraçãoPelo teu amor à tua arte,E se o ofício te falasseDiria "sim" ao matrimónio.
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De noite, a luz que brilhava não era estrelaApenas na minha bússola apontava o norte,Mais tarde eu tive a sorte de conhece-la,E fiquei iluminado com a sua luz forte.Hoje ainda faisco raios desse relampejoEles iluminam o meu corpo inteiroPor isso, luz na sua vida eu desejoHaja luz na vida de Sílvia Monteiro!
- Jáo Pedro, homenagem à instrutora mestre na psi.
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Fui grão mestre da ilusãoarquiteto da mentira,Consegui convencer-mePersuadi-me e acreditei,Para mim era óbvioPara mim era a verdade:Pertencer à peça da roldanaQue move a sociedadeTraria propósito, segurançaE de alguma forma felicidade.Dediquei a vida no ritmoQue me preenchia os dias:Expus em galerias,Limpei os dentes de clientes,Realizei consultas periódicas,Consultei a metrologia,Arranjei o carro dos vizinhos,Ensinei os meus alunos,Fui moralista, pensador nato,Até jogador entretendo alheios.Como é possível, a vida ter sentidoSe no mapa da vidaas rotas são as mesmas?A vida é uma fabrica de comportamentos:Todos os dias o mesmo padrão...Escola, faculdade, trabalho, família?Ou, escola, trabalho, família?Qual a rota 'diferente' que se escolhe?Mesmo que eu escolha hoje ir ao cinemaAmanhã ao teatro, depois à montanha,De seguida ao circo, fazer mergulho,Viajar para as ilhas, continentes,Mesmo que converse com outra pessoaE adote mais um animal,No final dos dias, qual a relevância nisso?Quando era pequeno, jogava consola,E essa consola não tinha memória,Então, todos os dias recomeçava o mesmo jogo.Eu fiz isso, dia após dia, com prazerE sorriso no rosto.Até o dia que alcancei grandes feitosE não os pude guardar...Qual o propósito da vidaSe, por mais que alcancemos grandes feitos,Teremos de desligar a consola?O que nos motiva?O que me motivava a jogar todos os diasO mesmo jogo?Creio que a resposta é simples:A ilusão da felicidade, a ocupação da mente.Esse é o grande plano, a obra prima,Que nos consome...Se não houver vida após a morte,Se não houver um futuro além da vida,Por mais que ganhemos na vidaSeremos apenas perdedores,Onde o legado não satisfaz a alma vivaNem faz jus ao cadáver morto.Caso contrário,Apenas somos ratos a correr numa rodaUma impiedosa roda feita ao acaso,Que nos tira quem mais amamosQue nos prova sem dar soluções,Que nos impede de usufruir os diasQue nos cria insónias à noite...Se eu vou morrer , para quê me preocupar demais com a vida?Se não há nada além da vida de hojePara quê viver preocupado?Qual o sentido de alcançar o nível máximo?Eu sei que as respostas são clarasE verdadeira a sua única solução:Deus.Sem Deus, a vida é inútil,Sem a sua existência somos amnésiaApenas uma efémera onda do mar,De outra forma,Sou apenas alguém que acordaQue se veste, que vai para o dever,Que faz exercício e dieta,Que tenta ser saudável e generoso,Que chora e ri a ver filmes...Mas... ao ver fotos passadasDe entes queridos passados,Não há risos, nenhum som,Nenhum deles fala, nem responde,Um dia todos eles viveram o que vivoE agora desapareceram...Onde estão as suas pegadas?Onde posso encontrar os seus feitos?Se eu não sei muito sobre os meus bisavós,O que eles serão para os meus netos?Meros nomes... meras faces... um número...Quão heróico isso parece agora?E os seus feitos? As suas virtudes?Nada... poeira cósmica...Vivo dentro deste apartamento quadradoVou para uma sala quadrada,Trabalho num escritório quadrado,E volto para a casa quadrada,Um dia, serei colocado num retângulo,E assim o circulo da vida se encerra.Se é só isto,Todos já estamos mortos.
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Tu trabalhaste de sol a sol em esforçoNa labuta infeliz da vida lutaste,O suor foi apenas teu, não houve reforçoE só tu sabes quantos dias suaste.E mesmo assim foste criticadoPor teres trabalhado e saído vencedor,Nem nunca foste valorizadoPor quem te deveria ter dado valor.Sim, eu fui cego e como cego não viaE como poderia se era apenas moço?Tu puxavas a corda do poço dia a diaE eu apenas te dava corda ao pescoço!Por isso a medicação te foi prescritaSeria depressão, stress ou ansiedade?Nenhuma carta de amor te foi escritaSomente uma carta de validade.Hoje lamento que a tua dor existaSe pudesse pagaria por essa dor,Mas não há uma cura que resista...Apenas uma dura divida sem penhor.
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Estou apaixonadoPor um vulto guardadoNa minha memória,A minha mente diz:Senta, contarei uma história:
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Tu eras da Luz e na luz tu nascesteOnde não havia escuridão nem paleta sombriaMas como poderia reter a luz que me deste?Eu sou frágil crepúsculo do final do dia...E como tarde nasci, tarde me retiroDeixando escapar a tua luz, pois não aguento,Que venha a noite que me contenta e inspira,Pois é nessa sombria solidão que me contento.
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Da tua força preciseiNa torre do relinchoQuatro cavalos fugiramE o estandarte caiu,Não há um cavaleiroApenas um ferreiroQue a seu tempo vejoQue me irá martelar.
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Quando eu achava que era amorE entre nós havia paixão,Tudo era luminoso e bonito.Agora sei que sou escravo da dorVendido para competiçãoE na arena contra ti compito.
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@Jáo Pedro 2018-2024
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